Da janela à minha direita



 Passam as luzes como que fossem partículas de pó a serem aspiradas. Meu mundo acelera, agora posso distinguir os emissores luminosos: faróis vermelhos, brancos, neons.

Sinal vermelho.
 O olhar no vidro escuro que acaba de aproximar-se é rapidamente desviado ao perceber que em pouco tempo virá resposta. Ao virar, então, a nova visão: faixas brancas no asfalto e sapatos a estalar.

Sinal verde.
 As luzes iniciam novamente sua antiga corrida, e como exemplo o meu olhar volta-se mais uma vez a fitar o que ocorre através da janela à minha direita. Ver essas cores luminosas a correr ao lado é como observar qualquer cena através das hélices de um ventilador, tal é a velocidade com que os carros cortam minha visão.

Sinal vermelho.
 O mundo para em minha rota; do lado esquerdo, as luzes fogem do meu destino tomando sentido contrário.

Chove.
 Tudo toma nova forma. Através do vidro molhado nada é definido e posso imaginar um novo curso, mundo e possibilidades. Apesar das incertezas trazidas por essa visão inconstante, em meu âmago sinto que é um presságio de mudança. Não. A certeza, o lembrete de que a única verdade é a mudança e o porvir.

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